Governo do Estado do Pará

07/01/2008

Circuito das Artes leva produção artística a diversos pontos de Belém

 

PROGRAMAÇÃO: CIRCUITO DAS ARTES 2007

 

Literatura paraense é foco de ‘Embarcações da Memória’

A produção literária de Ruy Barata, Inglês de Souza e Dalcídio Jurandir deu a Emanuel Franco os instrumentos necessários para a realização de ‘Embarcações da Memória - a Literatura dos Rios’, exposição em cartaz na varanda do Instituto de Artes do Pará (IAP), dentro do Circuito das Artes 2007.

 

Resultado do programa de bolsas do IAP, ‘Embarcações da Memória’ leva o espectador a uma viagem não somente literária, mas amazônica e histórica. Através de uma série de viagens a Óbidos, onde viveu o escritor Inglês de Souza; Ponta de Pedras, terra de Dalcídio Jurandir e Santarém, onde nasceu o poeta Ruy Barata, Emanuel criou uma exposição marcada pelas peculiaridades do interior do Pará. "As três canoas foram construídas com materiais da terra e dos rios dos próprios municípios. O que quis fazer com isso foi estabelecer um elo entre o escritor a sua memória, sugerindo uma viagem ao tempo e ao espaço, ressalta o artista".

 

"Foi pautada na literatura dos três que eu fiz meu trabalho. Quero que as pessoas percebam que em cada embarcação está sintetizada uma trajetória literária específica" continua Emanuel. Navegando por rios literários, o bolsista pesquisou escritores que tivessem uma relação com a comunidade ribeirinha, assim encontrou uma vasta fonte de investigação nos três paraenses. A exposição traz, além das embarcações, 45 maquetes e 15 desenhos. "Cada canoa tem serigrafada o rosto, história, biografia e informações sobre os escritores, bem como fragmentos de texto e elementos típicos das regiões onde nasceram" acrescenta.

 

A canoa que explora a vida e obra de Inglês de Souza recebe o nome de ‘Acauã’, alusão ao conto de mesmo nome do escritor. Acauã é o nome de um pássaro que compõe a última obra escrita por Inglês de Souza, Contos Amazônicos - uma coletânea que se passa em uma roda de contadores. Como em outros contos presente no livro, ele envolve o leitor num misto de realismo, fantástico e erotismo.

 

Já a embarcação que retrata o poeta santareno Ruy Barata, recebe o nome de ‘Paranatinga’, que na linguagem indígena significa ‘Rio branco’. "É um nome que ele gostava e por isso o deslocou para a literatura, além disso, é um nome que nos remete à cidade de Santarém", afirma Emanuel.

 

A embarcação que revela a trajetória de Dalcidio Jurandir busca inspiração em "Ribanceira", título do último romance escrito pelo paraense. "Chamei Ribanceira porque foi o último livro que ele publicou e a idéia de ribanceira nos remete ao rio, e esse foi o meu objetivo: trabalhar escritores que explorassem a vida ribeirinha em suas obras literárias", diz o artista. As obras de Dalcídio transitam entre relatos de tradições, paixões, travessias e viagens do personagem Alfredo, que também o fio condutor dos romances "Chove nos Campos de Cachoeira", "Três Casas e "Belém-do-Grão Pará". Influenciado pela literatura regional, o artista acrescenta que pesquisou várias obras e escritos literárias para desenvolver a pesquisa. Para construir a exposição ele recorreu as já extintas velas de canoas. Segundo Emanuel, a idéia agora é expandir o projeto para as obras de outros artistas paraenses.

 

Com as produções dos artistas contemplados na 6ª edição das bolsas de Pesquisa, Experimentação e Criação Artística do Instituto de Artes do Pará (IAP), o Circuito das Artes 2007 segue até o dia 10 de janeiro de 2008. As mostras acontecem no IAP, na Associação Fotoativa, Casa das Onze Janelas, Galeria Theodoro Braga e Museu de Arte de Belém (MABE), sempre com entrada franca.

 

Serviço: Até o dia 25 de janeiro, exposição ‘Embarcações da Memória - a Literatura dos Rios’, na varanda do Instituto de Artes do Pará (Pça Justo Chermont, 236, ao lado da Basílica de Nazaré). A mostra integra o Circuito das Artes 2007, com o resultado das bolsas de pesquisa do Instituto de Artes do Pará (IAP). A entrada é franca.

 

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