
Sobre o IAP
Criado pela Lei nº. 6.235 de 21 de julho de 1999 o Instituto de Artes do Pará - IAP tem sede em Belém do Pará à Praça Justo Chermont (antigo Largo de Nazaré), n° 236. Suas bases de funcionamento são devidas ao poeta e professor João de Jesus Paes Loureiro e podem ser entendidas por suas palavras: "O IAP quer ser um espaço que possa dar condições a que, nesta bela terra paraense-amazônica de águas infinitas e terras-do-sem-fim, possamos compreender que há: entre o rio e a floresta - o infinito" (Cadernos IAP, 2 - pg. 119 e 120).
Desde a sua criação, ocupa o prédio construído na segunda metade do século 19 para abrigar o Quartel do 15° Batalhão de Infantaria do Exército, porém, suas feições mais recentes são do século seguinte e, possivelmente data dos anos de 1920. Ao longo de sua história abrigou outras unidades militares tais como: o 47°, o 26° e o 24° Batalhões de Caçadores, além do CPOR e a 8a ICFEX. Seu projeto arquitetônico de revitalização foi assinado por Carla Abreu, com graduação em arquitetura e especialização em design.
O citado quartel foi palco de um importante momento histórico. Nele, as forças militares do Pará organizaram o comando de estado quando da transição entre a monarquia e o regime republicano (15 de novembro de 1889). Liderado pelo major João Maciel da Costa, ali aconteceu o ato de adesão do Pará à república e foi organizada a junta governativa para assumir a direção do estado. Do mesmo local saiu o batalhão que junto com a Polícia Militar, 4ª da Artilharia, Bombeiros, banda de música e o povo cercaram o Palácio do Governo para garantir a implementação do novo regime.
Arte ao alcance de todos
A qualificação artística e a democratização do acesso à cultura marcam, hoje, a política cultural do Governo do Estado coordenada pela SECULT, e são o objeto das ações do IAP. Parcerias com prefeituras, ONGs, movimentos sociais e sociedade civil, através de bolsas, cursos livres, oficinas, workshops, palestras, visitas técnicas, seminários e outras atividades inerentes, integram o processo de democratização do acesso à produção artística, com base na gestão descentralizada que se realiza nas regiões de integração do estado.
Assim as ações associadas entre os organismos da área cultural (FCG, FCPTN, FCV IAP) sob ordenação da SECULT, tendem a formação de uma rede estadual de instituições públicas e privadas por novos patamares da criação, em um universo transversal e amplo. Se existem limites, estes devem ser alargados de modo a construir diálogos da arte com outras formas de conhecimento, como ciência, tecnologia e a própria experimentação da pesquisa aliada à ação. Esse é o espaço para ousar novos rumos. É necessário então construir mais do que um momento, mas, políticas públicas nascidas em bases sólidas, cuidadosamente arquitetadas, para possibilitar uma estrutura que se mantenha potencializada por novas vertentes do pensamento crítico e da arte do nosso tempo.
Aperfeiçoamento e experimentação
A importância da qualificação técnica aliada à teoria marca a reflexão acerca do fazer artístico e interpõe-se nas atividades do instituto. Aliar o aperfeiçoamento técnico à discussão teórica, suscita a crítica e o desenvolvimento da percepção e da prática de atividades ligadas às suas diversas áreas de atuação. O público de artistas participantes em projetos do IAP tem o ensejo de discutir experimentos, além do aperfeiçoamento crítico e didático da pesquisa em arte. Ao possibilitar esse diálogo, fundamental para quem milita no campo cultural, revigora-se a cada ano a missão institucional do IAP que é:
Desenvolver um processo de ações pedagógicas que propiciem o aperfeiçoamento no campo das artes cênicas, musicais, plásticas, audiovisuais, literárias e de expressão de identidades.
Cultura em reflexão
Em fórum da UNESCO (1997) construiu-se a idéia de que países com grande diversidade cultural, como o Brasil, podem encontrar diferencial competitivo na chamada indústria criativa. Isso pode se dar por intermédio da cultura, pelo seu potencial transformador.
É do escritor de língua italiana (nascido em Cuba) Ítalo Calvino (1923/1985), a frase: "Quem é cada um de nós senão um combinatório de experiências, de informações, de leituras e imaginações? Cada vida é uma enciclopédia, uma biblioteca, um inventário de objetos, uma amostragem de estilos". O sociólogo francês Pierre Bourdieu (1930/2002) fala de cultura como expressão simbólica das linguagens da diversidade caracterizada nos modos de produção, por vertentes assinaladas conforme esferas da vida intelectual e artística, distribuídos nos campos da produção erudita e da indústria cultural. Em nosso contexto, complexo e contraditório - refletido na riqueza do saber popular - a cultura é um elemento fundamental para o reconhecimento de valores sem os quais a pluralidade da nossa experiência tornar-se-á empobrecida. Diz Júnio Santos, ator, diretor e autor de teatro:
"Uma cultura solidária, fraterna, liberta e justa, é um instrumento de luta da memória contra o esquecimento".
Tratar as questões culturais e artísticas com possibilidade de coesão na pluralidade, do encontro entre dessemelhanças, é importante, tanto quanto é essencial ultrapassar o conceito de democratismo da cultura para o de democracia cultural, ou seja, acatar as múltiplas características e reconhecer expressões que estiveram invisíveis por tempos.
Ao IAP cabe desenvolver o conhecimento através da reflexão crítica, estimular os processos criativos e o aperfeiçoamento das artes. Trata-se, portanto, de criar mecanismos que lidem, ao mesmo tempo, com reflexão e intervenção, onde os esforços caminhem no sentido de uma ação artística que possa responder às demandas das regiões mais periféricas, dos municípios mais distantes, dos artistas que produzem com mais dificuldades.
